sábado, 7 de junho de 2008

Grande Renato Russo

Ao lado do cipreste branco
À esquerda da entrada do inferno
Está a fonte do esquecimento
Vou mais além,não bebo dessa água
Chego ao lago da memória
Que tem água pura e fresca
E digo aos guardiões da entrada
"Sou filho da Terra e do Céu"
Dai-me de beber,que tenho uma sede sem fim
Olhe nos meus olhos,sou o homem-tocha
Me tira essa vergonha,me liberta dessa culpa
Me arranca esse ódio,me livra desse medo.
Olhe nos meus olhos,sou o homem-tocha
E esta é uma canção de amor.

Agora, um poema órfico:

"Encontrarás à esquerda da Mansão do Hades, uma fonte,
E a seu lado, um branco cipreste.
Não te aproximas deste manancial.
Mas encontrarás um outro junto à Fonte da Memória,
De onde fluem águas frescas e, diante das quais há guardiões.
Diz-lhes: "Sou um filho da terra e do céu estrelado;
Mas minha raça é do céu (somente). Vós próprio o sabeis.
E - ai de mim! - estou ressequido de sede, e pereço. Dai-me rapidamente
A água fresca que flui da Fonte da Memória".
E eles mesmos te darão de beber do manancial sagrado,
E desde então tu dominarás entre os outros heróis".

Que coincidência, não ?

Um comentário:

Impressões Digitais disse...

Coincidência nada. Essa foi justamente a intenção. Citar o poema órfico.
Renato Russo sempre assumiu que citava suas referências literárias nas letras de músicas (como em "tenho um sorriso bobo, parecido com soluço"), e até nos títulos: Pais e filhos, A montanha mágica, A tempestade, entre outros.